Apple testa nova Siri com IA em aplicativo similar ao ChatGPT
A Apple intensificou sua aposta em Inteligência Artificial com o Veritas, app interno para testar a nova Siri. Prevista para março de 2026, após atrasos, a assistente terá conversas em múltiplos tópicos, histórico salvo e interações longas, em um estilo similar ao ChatGPT. O Veritas não será público por enquanto.
Por que a Apple está investindo tanto na nova Siri
Em um mercado em que a vantagem deixou de estar no hardware e passou para a inteligência embarcada, a Apple acelera a nova Siri para aumentar retenção, impulsionar vendas de iPhone e expandir receitas de serviços, além de reduzir a distância para rivais em experiências conversacionais.
Ao rodar modelos de IA nos próprios chips do iPhone, sem depender sempre da nuvem, a Apple quer:
- Respostas mais rápidas, mais privacidade (com dados ficando no aparelho);
- Integração mais profunda com aplicativos;
- Serviços do ecossistema.
Esses três ganhos são a base para recuperar protagonismo na próxima fase da computação pessoal.
A nova versão da Siri foi projetada para mudar esse cenário completamente.
Entre as funcionalidades testadas no Veritas estão:
- Pesquisa em dados pessoais como músicas e e-mails;
- Execução de ações dentro de aplicativos, como editar fotos;
- Análise de informações exibidas na tela do usuário;
- Navegação integrada entre diferentes funcionalidades do dispositivo;
- Capacidade de buscar informações na internet e resumi-las.
Tudo isso alimentado por grandes modelos de linguagem (LLMs), a mesma tecnologia que sustenta o ChatGPT e outros chatbots de sucesso.
Os atrasos que quase custaram a liderança da Apple
A nova Siri enfrentou obstáculos técnicos que empurraram o lançamento, originalmente previsto para a primavera de 2024. Em avaliações internas, até um terço das interações falhava, com respostas inconsistentes e instabilidade em cenários de uso prolongado, algo incompatível com a expectativa de qualidade da Apple.
O resultado foi uma revisão completa do roadmap: redefinição de prioridades de engenharia, ciclos de testes e garantia de qualidade mais rígidos, metas explícitas de confiabilidade e foco em reduzir erros em conversas de múltiplos tópicos e no resgate de histórico.
A reestruturação também mexeu na liderança. John Giannandrea, chefe de IA, e alguns de seus substitutos foram afastados, e Robby Walker, que supervisionava diretamente a Siri, deixará a empresa em outubro de 2025.
Desse realinhamento surgiu a equipe AKI (Answers, Knowledge, and Information), encarregada de fortalecer os recursos de busca e recuperação de conhecimento da nova Siri e de integrar essas capacidades ao produto com mais rigor técnico, cobrindo desde a curadoria de dados até a avaliação contínua de segurança e desempenho.
Apple busca parcerias estratégicas com OpenAI, Anthropic e Google
Reconhecendo que não pode fazer tudo sozinha, a Apple tem mantido conversas com os principais players do mercado de IA. No início de 2025, a empresa negociou com a OpenAI para ajudar a alimentar a nova Siri. Posteriormente, entrou em discussões avançadas para usar o Claude, da Anthropic.
Recentemente, a Apple intensificou conversas com o Google sobre a implementação de uma versão personalizada da plataforma Gemini. Essa estratégia de parcerias mostra uma mudança na postura da empresa, historicamente conhecida por desenvolver tudo internamente.
A nova Siri usa um sistema interno, codinome Linwood, que mistura dois mundos: modelos criados pela própria Apple e um modelo de terceiros. Com essa abordagem híbrida, a empresa mantém controle da experiência do usuário e, ao mesmo tempo, aproveita o que há de mais avançado em IA no mercado.

O Veritas e a estratégia de testes internos
O aplicativo Veritas serve como um campo de testes acelerado. Em vez de implementar cada nova funcionalidade diretamente na Siri e aguardar feedback dos usuários finais, a divisão de IA da Apple pode avaliar rapidamente os recursos em um ambiente controlado.
Essa abordagem traz diversas vantagens:
- Velocidade de iteração: Os engenheiros podem testar múltiplas versões de funcionalidades em questão de dias, não meses;
- Feedback estruturado: O formato de chatbot permite que os funcionários testem a tecnologia de forma mais eficiente e forneçam avaliações detalhadas;
- Validação do modelo: A empresa pode avaliar se o formato conversacional realmente agrega valor antes de comprometer recursos em um lançamento público;
- Redução de riscos: Detectar erros internamente custa muito menos do que corrigi-los depois do lançamento.
Craig Federighi disse em entrevista ao Tom’s Guide que lançar um chatbot público não é prioridade para a Apple; apesar de reconhecer o potencial dessas ferramentas, a empresa ainda avalia se isso deve ser seu foco principal
A competição por IA se intensifica no mercado de smartphones
A corrida de IA não se resume a ter o assistente mais avançado, e sim a definir como usaremos os smartphones nos próximos anos. A partir de 2026, os recursos de IA tendem a influenciar fortemente a decisão de compra. No lançamento do iPhone 17, a Apple não destacou uma plataforma própria de IA, o que sugere menos um descuido e mais um sinal de que ainda está ajustando a tecnologia. Em vez de prometer antes do tempo, a empresa aparenta preparar o terreno para competir em condições iguais com rivais que já exibem soluções mais maduras.
Enquanto isso, os concorrentes não param:
- Google já integra profundamente o Gemini em seus dispositivos Pixel, oferecendo recursos de edição de fotos com IA, resumos inteligentes e assistência em tempo real.
- Samsung investe pesadamente em sua linha Galaxy AI, prometendo experiências personalizadas e recursos que antecipam as necessidades dos usuários.
A Apple precisa não apenas alcançar, mas superar essas ofertas para justificar o valor que cobra por seus produtos.
Como a batalha da IA na Apple se conecta com marketing digital e Vendas
Para quem trabalha com marketing digital, a história da Apple e da nova Siri oferece lições valiosas sobre transformação tecnológica e posicionamento de mercado.
- Percepção versus realidade no funil de vendas: Durante anos, a Siri foi suficiente para as necessidades básicas dos usuários. Mas à medida que concorrentes elevaram o padrão, a percepção de qualidade da Apple começou a ser questionada. No funil de vendas de smartphones premium, essa percepção impacta diretamente a decisão de compra.
- Validação antes da escala: A estratégia de testes da Apple com o Veritas espelha o que empresas de sucesso fazem com tráfego pago: testar em ambiente controlado antes de escalar investimentos.
- Parcerias estratégicas aceleram resultados: As parcerias da Apple com OpenAI, Anthropic e Google demonstram que até os gigantes reconhecem quando precisam de expertise externa. No growth e no plano de marketing de empresas em expansão, saber quando desenvolver internamente e quando buscar parceiros é fundamental para acelerar resultados.
- IA redesenha a jornada do cliente: A jornada do cliente está sendo completamente redesenhada pela inteligência artificial. Assistentes virtuais mais inteligentes significam menos atrito entre intenção e ação. Para marcas, isso representa uma oportunidade de estar presente exatamente no momento da decisão, oferecendo informações relevantes através de SEO e conteúdo otimizado que alimenta essas IAs.
- Adaptação nas estratégias de vendas e relacionamento: Empresas que dependem de inside sales e customer success precisam acompanhar de perto essa evolução. A forma como clientes buscam informações, comparam produtos e tomam decisões está mudando. O relacionamento com o cliente será cada vez mais mediado por IA, exigindo que as estratégias de comunicação sejam adaptadas.
Como aplicar a estratégia de IA da Apple no seu negócio
A transformação que a Apple está vivenciando com a Siri oferece insights práticos para empresas de todos os portes:
- Valide antes de escalar: Assim como a Apple usa o Veritas para testar internamente, implemente programas piloto antes de lançar novas estratégias de marketing ou produtos. Teste com um grupo menor de clientes, colete feedback estruturado e ajuste antes do lançamento completo;
- Não tenha medo de atrasar se necessário: A Apple preferiu adiar o lançamento da nova Siri a entregar uma experiência mediana. Em vendas e marketing, lançar uma campanha mal preparada pode ser mais prejudicial do que esperar pelo momento certo;
- Combine forças internas e externas: A estratégia híbrida da Apple (tecnologia própria + parcerias) é um modelo para empresas que buscam crescimento. Desenvolva suas competências centrais, mas não hesite em buscar especialistas para áreas complementares;
- Monitore constantemente a percepção de mercado: A Apple percebeu que estava ficando para trás quando Google e Samsung se tornaram referências em IA. Estabeleça métricas claras para acompanhar como seu negócio é percebido em comparação aos concorrentes;
- Invista em tecnologia que elimina fricções: A nova Siri promete realizar ações que hoje requerem múltiplos passos. Identifique pontos de atrito na sua jornada do cliente e invista em soluções, sejam chatbots, automações ou processos simplificados;
- Prepare sua equipe para a transformação: A reestruturação da divisão de IA da Apple mostra que mudanças significativas exigem ajustes na estrutura organizacional. Capacite seu time para trabalhar com novas ferramentas e metodologias.
- Teste, mensure e otimize continuamente: O Veritas permite iterações rápidas. Adote a mesma mentalidade nas suas campanhas de tráfego pago, estratégias de SEO e iniciativas de growth. Pequenos ajustes frequentes superam grandes mudanças.
Agora que você conhece a estratégia por trás da maior aposta tecnológica da Apple, o próximo passo é transformar esse conhecimento em vantagem competitiva real.
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