Nubank solicita licença para atuar nos EUA e avançar na expansão global
O Nubank solicitou ao Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) a licença para operar como banco no país. O movimento faz parte da estratégia de expansão da empresa, que já tem ações listadas na Bolsa de Nova York.
Da simplicidade ao domínio: Como o Nubank construiu um império digital
Em 2013, David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible lançaram um cartão de crédito digital, sem anuidade e de fácil solicitação, mudando a forma de acesso ao crédito no Brasil e evidenciando o poder do marketing digital em oferecer soluções simples e eficazes.
Hoje, a empresa atende quase 123 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia. No Brasil, 60% da população adulta usa o Nubank, e a maioria o considera seu banco principal. Esses números são resultado de uma estratégia consistente de expansão de portfólio aliada a um ótimo relacionamento com o cliente.
O banco começou com cartão de crédito, mas rapidamente incorporou conta digital, empréstimos, investimentos, seguros e até telefonia móvel. Cada novo produto foi pensado para atender necessidades específicas da base existente, criando um ecossistema onde o cliente não precisa sair para resolver suas demandas financeiras.
Os números que revelam uma máquina de crescimento eficiente
No segundo trimestre de 2024, o Nubank apresentou resultados expressivos. A receita chegou a US$ 3,7 bilhões, cerca de R$ 19,6 bilhões, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior. O lucro líquido foi de US$ 637 milhões, aproximadamente R$ 3,4 bilhões, representando alta de 42%. O retorno sobre patrimônio (ROE) alcançou 28% ao ano, reforçando a eficiência da empresa em gerar valor para seus investidores.
Mais de 83% dos clientes permanecem ativos na plataforma, um forte indicador de customer success que ainda desafia muitos bancos tradicionais. Além disso, a estratégia de crescimento orgânico baseada em indicações reduziu de forma significativa o CAC, já que a maior parte dos novos clientes chega por recomendação de amigos e familiares.
A expansão internacional também mostra força. No México, o banco já soma 12 milhões de clientes, enquanto na Colômbia são 3,4 milhões, com depósitos que cresceram 841% em apenas um ano. Esses resultados confirmam que a fórmula do Nubank é escalável e pode ser replicada com sucesso em diferentes mercados.
A lógica por trás da expansão nos Estados Unidos
À primeira vista, pode parecer incomum que uma empresa com forte atuação na América Latina busque operar nos Estados Unidos. No entanto, o objetivo do Nubank é ampliar sua presença internacional e atender melhor os clientes latino-americanos que já vivem ou realizam negócios no país.
O banco já reúne milhões de usuários com esse perfil, e oferecer serviços bancários nos EUA não é apenas uma expansão de mercado, mas a continuidade da jornada do cliente com uma marca em que ele já confia. A licença bancária permitirá disponibilizar contas de depósito, empréstimos e custódia de ativos digitais em um dos sistemas financeiros mais sofisticados do mundo.
O Nubank já atende milhões de clientes latino-americanos que vivem ou fazem negócios nos Estados Unidos. Ao oferecer serviços bancários nesse mercado, a empresa não apenas expande sua atuação, mas acompanha a jornada do cliente, fortalecendo o vínculo com a marca.
Com a licença bancária americana, o Nubank poderá oferecer produtos como contas de depósito, empréstimos e custódia de ativos digitais em um dos sistemas financeiros mais avançados do mundo, sob a liderança da cofundadora Cristina Junqueira, que assumirá como CEO da subsidiária nos Estados Unidos.
Governança de primeira linha: Quando os nomes fazem diferença
O conselho de administração da operação americana foi formado por lideranças de destaque. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, assumirá a presidência do board, que também contará com executivos com experiência em instituições como Blackstone, CIT Group e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Essa composição do conselho evidencia a visão de longo prazo do Nubank e a importância de alinhar a estratégia global à realidade local. Em mercados complexos como o americano, é essencial ter líderes que conheçam profundamente as normas e o funcionamento do mercado local.

América Latina como prioridade: Fortalecendo a base antes da expansão
Mesmo avançando com o processo de entrada nos Estados Unidos, o Nubank continua fortalecendo sua atuação na América Latina. No México, já recebeu a autorização para se tornar banco a partir de abril de 2025 e aguarda apenas a aprovação final. No Brasil e na Colômbia, as operações seguem reguladas e em ritmo consistente de crescimento.
A lógica por trás dessa estratégia é simples: consolidar antes de expandir. Ao entender bem o funil de vendas bancário, o Nubank começa oferecendo soluções acessíveis para atrair clientes e, aos poucos, amplia a oferta com produtos mais completos. Esse caminho garante crescimento sustentável e fortalece a relação de confiança com a base de clientes.
Como o Nubank domina a aquisição e retenção
Quando observamos a trajetória do Nubank sob a perspectiva do marketing digital, fica claro como a empresa estruturou uma execução multicanal de destaque, combinando iniciativas como:
- Indicações e recomendações espontâneas: O crescimento inicial foi impulsionado pelas indicações de clientes. O programa de convites oferecia prioridade de acesso a quem trouxesse amigos, fortalecendo a percepção de exclusividade e validando a proposta de valor do Nubank;
- Tráfego pago estratégico: Com o passar do tempo, a empresa passou a investir em mídia paga de forma planejada, sempre reforçando seus diferenciais reais: ausência de taxas abusivas, atendimento próximo e tecnologia que funciona;
- Conteúdo e presença digital: O blog e as redes sociais se tornaram canais de educação financeira, trazendo tráfego orgânico com SEO e ajudando a consolidar o Nubank como referência no setor;
- Inside sales e atendimento eficiente: Mesmo sendo um banco digital, o Nubank investiu em times de inside sales e suporte rápido. O reflexo disso é um NPS (Net Promoter Score) acima de 90, um dos maiores do setor financeiro.
Essa combinação de estratégias mostra como o Nubank construiu um modelo de crescimento sustentável, equilibrando aquisição eficiente, engajamento de clientes e fortalecimento de marca.
O Modelo de Crescimento: Lições para qualquer negócio
O sucesso do Nubank não se explica apenas por ser um banco digital ou não cobrar tarifas. Por trás dos resultados, há uma filosofia de growth que oferece insights valiosos para empresas de diferentes setores, como:
- Resolver um problema real: O Nubank começou resolvendo uma dor evidente do consumidor: cartões de crédito com anuidade alta e atendimento insatisfatório. Só depois de conquistar relevância passou a ampliar seu portfólio;
- Usar dados para personalizar a experiência: A empresa analisa padrões de comportamento para oferecer soluções no momento certo, respeitando o tempo e as necessidades de cada cliente;
- Transformar clientes em embaixadores: Mais de 83% da base utiliza a plataforma ativamente, o que gera fidelidade, recomendações espontâneas e redução significativa do CAC, criando um ciclo de crescimento sustentável;
- Investir em educação financeira: Além dos produtos, o Nubank sempre ofereceu conteúdo educativo, reforçando sua posição como parceiro na vida do cliente, e não apenas como prestador de serviços;
- Expandir o portfólio com propósito: Cada novo produto nasce para atender a uma necessidade real da base existente, resultando em uma expansão estratégica que amplia o LTV e fortalece o relacionamento com o cliente.
O futuro do Nubank e o que vem pela frente
Com a licença bancária nos EUA em processo de aprovação, o Nubank se prepara para entrar em um dos mercados mais competitivos do mundo. A empresa leva uma base fiel de clientes, tecnologia consolidada e um modelo de negócios lucrativo e escalável.
O caso mostra que é possível crescer resolvendo problemas reais, mantendo o cliente no centro e equilibrando inovação com rentabilidade. A expansão para os Estados Unidos é apenas o próximo passo de uma trajetória que continua em construção.
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